quarta-feira, 20 de junho de 2007

METADE DE MIM


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio. Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste. Que o homem que eu amo seja sempre amado, mesmo que distante. Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, Apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento. Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção. E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

Léa Ghignatti


METADE FOR ME


What the force of fear that I am not prevent me from seeing what longing. That the death of all that I believe I am not tape the ears and mouth. Because half of me is what I cry, but the other half is silence. What the music I hear in the distance is beautiful, though sad. What the man I love is always loved, even if distant. Because half of me is departure and the other half is nostalgia. What the words I speak are not heard as prayer or repeated with fervor, only respected as the only thing left to a woman awash with sentiment. Because half of me is what I hear, but the other half is what callus. That this my desire to go to become the calm and peace that I deserve. That this tension that I corroe inside a day rewarded. Because half of me is what I think and the other half is a volcano. What is the fear of loneliness away, that the coexistence me to become even less bearable. What the mirror reflecting on my face the sweet smile that I remember to have given in childhood. Because half of me is the memory of what was, the other half I do not know ... What is not needed more than just a joy for me to aquietar the spirit. And that your silence me talk more. Because half of me is homeless, but the other half is fatigue. What the art point in a response, even if she does not know. And no one try to complicate simplicity because we need to make it flourish. Because half of me is the audience and the other half, the song. And that is my madness perdoada. Because half of me is love and the other half ... Too.

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