segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Eu deixarei que morra em mim...

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos
que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres
eternamente exausto.
No entanto a tua presença é
qualquer coisa como a luz e a
vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha
voz a tua voz.
Não te quero ter porque em
meu ser tudo estaria
terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma
gota de orvalho nesta terra
amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e
encostarás a tua face em outra
face.
Teus dedos enlaçarão outros
dedos e tu desabrocharás para
a madrugada.
Mas tu não saberás que quem
te colheu fui eu, porque eu fui
o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face
na face da noite e ouvi a tua
fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram
os dedos da névoa suspensos
no espaço.
E eu trouxe até mim a
misteriosa essência do teu
abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros
nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como
ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das
estrelas.

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