domingo, 24 de junho de 2012

PERDAS NECESSÁRIAS

Deixa partir o que não te
pertence mais
Deixa seguir o que não pode
voltar
Deixa morrer o que a vida já
despediu
Abra a porta do quarto e a
janela
Que o possível da vida te
espera
Vem depressa que a vida
Precisa continuar
O que foi já não serve é
passado
E o futuro ainda está do outro
lado
E o presente é o presente
Que o tempo quer te entregar
Fala pra mim, se achares que
posso ouvir
Chora ao teu Deus
Se não podes compreender
Rasga este véu do calvário
Que te envolveu
Tão sublime o segredo se
esconde
Nesta dor que escurece o
horizonte
Que por hora impede
Os teus olhos de
contemplarem
O eterno presente no tempo
O ausente presente em
segredo
Na sagrada saudade que o
deixa continuar
Deixa morrer o que a morte já
sepultou
Deixa viver o que dela
ressuscitou
Não queiras ter o que ainda
não pode ser
É possível crescer nesta hora
Mesmo quando o que amamos
Foi embora
A saudade eterniza a presença
De quem se foi
Com o tempo esta dor se
aquieta
Se transforma em silêncio que
espera
Pelos braços da vida um dia
reencontrar...

Fábio de Mello

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